segunda-feira, 13 de outubro de 2008

Acordo Ortográfico 2

Nada mais do que normal ouvir uma velhinha portuguesa dizer ao marido, ao se atrasar para o café da tarde: "A bicha do cacete estava grande... por isso a demora..." No que o velhinho responde: "Não se aborreça, cheguei quase agora também, tinha bicha para tomar pico no cu".

Glossário Português x Brasileiro:
Bicha = Fila
Cacete = Bengala de pão
Pico no cu = Injeção nas nádegas

Um diplomata brasileiro foi convidado para um recepção em Lisboa. Pediu a sua secretaria que ligasse para o Ministério das Relações Exteriores português perguntando se precisava ir de smoking. A funcionária respondeu que bastava que "ele fosse de fato", no que a secretária brasileira argumentou: "Sim, ele vai, só queria saber se precisa de smoking". Ao que a portuguesa retrucou: "Não precisa, basta que ele venha de fato".

Glossário Português x Brasileiro:Fato = Terno completo

Em muitos banheiros públicos portugueses é comum encontrar o seguinte cartaz: "É favor carregar no autoclismo da retrete".

Glossário Português x Brasileiro:
Carregar = Apertar um botão
Autoclismo = Descarga
Retrete = Vaso sanitário

O esférico passou pelo guarda-valas, mas bateu na moldura e desviou-se para fora do campo. O árbitro declarou pontapé de canto.

Glossário Português x Brasileiro:
Esférico = Bola
Guarda-valas = Goleiro
Moldura = Trave
Pontapé de canto = Escanteio

Brincadeiras e duplos sentidos a parte, a língua portuguesa não é uma só. Além dos diversos significados que palavras comuns de nosso dia-a-dia adquirem em outros países lusófonos, ainda existe de diferente o sentido das frases, como não nos deixa mentir o blog Kibeloco, onde é narrada a aventura de se pedir um refrigerante a bordo de uma avião rumo a Angola, e a aeromoça responder que tal refrigerante tem, mas não há... E a senhora que ligou para a recepção do hotel em Portugal dizendo que ela e o marido, brasileiros, precisavam de um durex e que se não desse para levarem até o quarto o marido poderia utilizá-lo lá na recepção mesmo... O problema é que "durex" em Portugal é o que nós conhecemos como preservativo.

Toda essa conversa é para tocar no assunto do Acordo Ortográfico. É verdade que, quando se faz um tratado entre os países lusófonos, existe a necessidade de se produzir duas versões, uma no português de Portugal, outra no dos países signatários, para que as particularidades das línguas não prejudiquem a interpretação. Como se fazia antigamente entre as nações, onde o latim era a língua que "desempatava" os entraves diplomáticos. Mas será que, com a riqueza cultural das nações lusófonas envolvidas, tirar trema, colocar e tirar hífen e acrescentar três letras ao alfabeto será o suficiente para se estreitar os povos lusófonos e suas diferentes formas de pronunciar e escrever ou ainda pensar? Creio que não. Saramago, por exemplo, não permite que seus textos sejam "traduzidos" para o português do Brasil. Se eu fosse Nobel de Literatura, também não permitiria, onde já se viu, na ex-colônia dizem que quem tem sotaque são os portugueses!!! Já o Windows não tem tanto escrúpulo: inventou um português brasileiro, presente em todos os seus produtos, e um outro tipo de português, que funciona bem para os do outro lado do Atlântico, aqueles que carregam no rato, enquanto nós aqui clicamos no mouse.

Além da dor-de-cabeça que será para as escolas, ou melhor, para o bolso dos pais, que terão que renovar o material escolar de seus miúdos e putos do outro lado do Atlântico, e cá, de suas crianças e adolescentes, fica a dúvida... isso realmente era necessário?

Para os que se interessam nas diferenças de nossas línguas:
- É golo, pá - de Marcos e Luis Bogo- Schifazfavoire (Dicionário de Português) - de Mário Prata

Para demais curiosidades linguísticas (o trema caiu, viu?):
- As líinguas divertem, de Oswaldo Ballarin
- As línguas do mundo, de Charles Berlitz (neto do fundador das escolas de idiomas Berlitz)
- Tabus linguísticos, de Mansur Gueiros

Um comentário:

rikuuchan disse...

Concordo em parte...

É bem verdade que as diferenças de fala, significado de palavras,etc. não podem ser cortadas, mas, de fato, essa mudança na escrita ajudará a integração literária entre os povos...

Já que você recomendou livros, eu recomendo a leitura de "A Língua de Eulália" de Marcos Bagno.

Grande abraço!