segunda-feira, 20 de abril de 2009

Hic!stórias, um bom papo de bêbado

"O uísque é o melhor amigo do homem, ele é o cachorro engarrafado."
(Vinícius de Morais)

Papo de bêbado, dependendo do alcoolizado de plantão, pode ser divertida ou muito, muito chata. O importante é não levarmos muito a sério. Se Ulisses Tavares pretendia isso com seu mais novo livro, Hic!stórias, Os maiores porres da história da humanidade, um brinde a ele!

O livro, encarado como diversão, é leve, engraçado e sem pretensão alguma de ser totalmente preciso. Como papo de bebum que se preze, a memória pode ser falha e os fatos, não tão fidedignos ao serem narrados.


Rasputin não tomou vodca envenenada, seus assassinos colocaram o veneno no vinho e nos doces que foram servidos ao Monge Louco. O Príncipe Aléxis, que tinha 12 anos de idade em 1916, daria um assassino muito pouco provável. O autor deve ter querido se referir ao Príncipe Yussupov ou ao Grão-Duque Dimitri. Margaux Hemingway não era sobrinha do escritor Ernest Hemingway, e sim neta dele. Mas não estou sendo pago como revisor, longe disso. Deixemos aos sóbrios chatos de plantão, como eu, o hábito insuportável de encontrar erros factuais. Afinal, sempre estamos duas doses abaixo.

A prosa ágil, o estilo de narrativa, muito sarcasmo, uma linguagem bem-humorada e os envolvidos - bebida + personalidades marcantes (atores, políticos, escritores, etc) + porres homéricos - fazem a obra ser muito fácil e gostosa de ler.


Grandes bêbados e enormes porres fazem parte da história desde a Bíblia, é o que nos lembra o autor. Passando do mundo bíblico para Walt Disney, o famoso criador de famílias disfuncionais, milhares de anos de canjibrina nos contemplam. Estão presentes na obra de brasileiros a estrangeiros, do Drácula a Tina e Ike Turner, dos nossos índios e colonizadores aos grandes escritores universais. Nem os mórmons são poupados, que dirá “O Cara”, nosso presidente Lula, mais novo amigo de infância do Obama.


Assustador o recado no final da obra do autor para seus leitores. Ulisses diz não ter colocado outras histórias sobre bêbados e bebedeiras famosas para não ter problemas, remetendo ao caso do livro "Roberto Carlos em Detalhes" escrito por Paulo César Araújo, e sua briga na justiça para poder comercializar a obra que o "rei" vetou. D. Pedro II, do alto de seu trono, nunca proibiu as famosas caricaturas tirando sarro de sua augusta majestade, que até livro viraram, mas o nosso "rei" atual não foi tão magnânimo.


Esta semana, um cliente, músico e escritor, que está preparando uma obra e precisava de referências sobre literatura marginal dos anos 70/80, estava atrás do livro "O mundo cão de Silvio Santos", no qual Adelaide Carraro conta sobre o que viu e vivenciou trabalhando com o empresário. Quem leu a obra sabe que o que move o "rei" em proibir a sua biografia é fichinha perto das carregadas tintas com as quais Adelaide Carraro pinta Silvio Santos, o Baú da Felicidade, programas e modus vivendis. O que fez ele? Nada, e parece ter funcionando, afinal, quantos que estão lendo este texto já ouviram falar na autora ou na obra? Já sobre o Silvio...

O que essas reflexões finais tem a ver o Hic!stórias? Nada, mas sabe como é papo de bêbado... ic!

Título: Hic!Stórias
Subtítulo: Os Maiores Porres da História da Humanidade

Autor: Ulisses Tavares
Ilustradora: Natália Forcat

Editora: Panda Books

Edição: 1a. edição, 2009

Idioma: Português
Número de páginas: 272

Isbn-13: 978-85-8894-896-9

R$ 35,90

Texto produzido para a E-Zone

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